Informações e notícias sobre Rankings. Os melhores, piores, maiores e menores do Brasil e do mundo você encontra no nosso blog.

11 de dezembro de 2009

Formação ou experiência: o que vale mais?

Agência do trabalhador em Ponta Grossa. Enquanto algumas pessoas esperam para preencher a ficha que pode encaminhá-las para seus próximos empregos, Anderson Diniz já tem em mãos uma vaga quase certa. Após sete meses desempregado, é a maior chance deste rapaz de 27 anos para voltar ao mercado de trabalho. A oportunidade será em uma padaria, como ajudante de padeiro.

A função não exige experiência nem escolaridade. O salário é baixo. Nada que desanime Anderson, até porque ele tem apenas o primeiro grau completo. Mas, o que pode parecer uma desvantagem acaba se tornando benéfico na hora de arranjar um emprego. “Aqui temos muito mais vagas que exigem menor escolaridade e maior experiência de vida”, conta a atendente da agência Raquel Marenda.

Minutos antes de conseguir a vaga, Anderson estava nervoso. Suas mãos não paravam de mexer enquanto falava sobre sua formação e o os locais onde já havia trabalhado. O que tranquilizou o futuro auxiliar de padeiro foram as quatro ofertas de emprego que se encaixavam no perfil dele. “Espero que dê certo. O importante é ganhar para se sustentar”, diz Anderson.

Marenda afirma que a experiência profissional e escolaridade têm importância na hora de se conseguir uma vaga, mas para manter o emprego é preciso algo mais: “Algumas pessoas têm a formação profissional adequada, mas falta ‘jogo de cintura’. A experiência de vida ajuda a lidar com algumas situações que são primordiais para a manutenção de um emprego”, diz a atendente.

A prova de que em alguns casos uma melhor qualificação pode atrapalhar aconteceu após Anderson sair. A candidata seguinte a uma vaga de emprego era Débora Sidrac, desempregada há um ano. Neste período, aproveitou para fazer um curso de informática. Mesmo com o ensino médio completo e a formação, ela não encontrou nenhuma vaga compatível com o perfil dela.

“Eu tenho curso de computação e tudo mais. O problema é que o pessoal pede experiência e fala que o estágio que eu fiz não adianta de nada”, diz Sidrac. Seu último emprego havia sido em uma pastelaria, mas o desejo dela é trabalhar em escritórios. “Trocar de função realmente é complicado. Bem, agora é esperar a vaga vir. Daí eu vou ter experiência”, completa Sidrac.

A auxiliar administrativo da agência Giane D’eleotério conta que a formação tem peso, mas a experiência vale mais na hora de conseguir uma vaga. “Nós inclusive oferecemos cursos profissionalizantes aqui na agência, mas de zero a cem, 70% que conta em uma vaga é a experiência profissional da pessoa. Pessoa com carteira limpa, mesmo que com bastante estudo, não consegue vaga facilmente”, fala a auxiliar.

Mesmo com a formação para o mercado de trabalho que muitos cursos dão às pessoas, na situação descrita neste texto a experiência de vida pesou mais do que os estudos. Porém, Marenda faz uma ressalva: “conseguir emprego é mais fácil para quem pouco estudo. Só que as melhores vagas ficam com aqueles que estudam mais. Mas, claro que preparação para a vida não faz mal a ninguém”, diz a atendente.

Reportagem escrita para a disciplina de Redação Jornalística II na Universidade Estadual de Ponta Grossa em 2009

O resultado da soma de transpiração com inspiração

Caco Barcellos é atualmente um dos jornalistas de maior renome no Brasil. Trabalhar na maior rede de televisão do país e ter um programa onde pode trabalhar com certa autonomia ajuda na fama do repórter. Outro fator que auxilia Caco Barcellos a ser tão conhecido na área jornalística são as suas grandes reportagens, que acabam se tornando livros. O Abusado: o Dono do Morro Dona Marta é um deles.

O trabalho para escrever o livro demandou muito tempo e apuração por parte do repórter. Barcellos também assumiu certos riscos para produzir a obra, já que teve que fazer diversos acordos (muitas vezes tácitos apenas) com sujeitos considerados perigosos, como por exemplo o personagem principal do livro: o traficante Marcinho VP, tratado na obra como Juliano VP.

Poucos sabem, mas Barcellos cresceu em um dos bairros de maior miséria na cidade de Porto Alegre. A infância pobre e a convivência com a realidade das periferias ajudou o jornalista a lidar com as situações do Morro Dona Marta que são descritas no livro. Para produzir uma obra impactante como esta é preciso ter sangue-frio, não se abalar com os depoimentos e muito menos demonstrar medo perante as situações, principalmente no período de apuração.

Barcellos procurou instituir uma ótica diferente da que é mostrada pela mídia dominante. Em O Abusado, Juliano VP é transformado em um legítimo anti-herói, digno das melhores histórias do mito Robin Hood. Se por um lado Juliano agia à margem da lei, por outro ele sempre se importava com o bem-estar da comunidade do morro. Caco trabalhou com a glamorização do bandido em O Abusado.

A linguagem utilizada no livro é uma mescla de linguagem jornalística e narrativa ficcional. Apesar da maioria das ações que acontece no livro ser baseada em depoimentos, seja de traficantes da Dona Marta, moradores do morro ou do próprio Juliano, Barcellos dá uma dimensão narrativa que faz o leitor crer que o próprio repórter foi testemunha dos acontecimentos, tamanho o detalhamento dos fatos.

Um exemplo disto está no início do livro. A cena da perseguição que acabou na morte de Careca, considerado o melhor motorista da quadrilha de Juliano, é descrita com tanta riqueza de detalhes que a cena chega a transcender o livro. Barcellos consegue ganhar o leitor já nas primeiras páginas. Comparado a uma reportagem, seria o Lead perfeito.

O livro é dividido em três partes. A primeira é Tempo de Viver, que mostra os primeiros anos de vida de Juliano, período no qual ele formou sua turma de amigos. A narrativa tem como elemento central a figura do traficante, mas ao mesmo tempo em que conta a história de Juliano, Barcellos também conta a história do morro em que Juliano cresceu. Além dos depoimentos, o autor se utilizou de material publicado na imprensa da época para remontar a história do Dona Marta.

A segunda parte da história é chamada de Tempo de Morrer. Neste período, Juliano já era o chefe do tráfico do Dona Marta. Episódios como a chegada de Michael Jackson no morro (que marca o início do capítulo) mostram como o traficante gostava dos holofotes. Este foi o maior erro de Juliano. Graças a querer aparecer na mídia, ele acabou se tornando o inimigo número um do Rio de Janeiro. Por sinal, Juliano acabaria se tornando vítima do próprio livro, já que menos de dois meses após o lançamento de O Abusado, ele seria morto na cadeia.

A terceira parte do livro é intitulada Adeus às Armas e mostra o período em que Juliano teve que fugir do Rio de Janeiro para não ser preso. Mesmo neste período, Caco Barcellos não deixou de manter contato com o traficante. Nesta parte está um dos trechos mais interessantes do livro, que inclui o próprio autor como mais um personagem da história.

Quando estavam em Buenos Aires, Barcellos e Juliano foram a um estádio de futebol. Foi então que o jornalista foi assaltado por torcedores argentinos dentro do estádio e foi salvo pelo traficante. Neste instante, Caco deixa de ser simplesmente o autor e se torna mais um personagem da história. Este trecho também mostra que a relação entre os dois talvez já teria passado da relação jornalista x fonte para o início de uma amizade.

O que fica claro no livro é que Caco Barcellos também foi obrigado a “flanar” por diversos espaços para produzir O Abusado, tal como fez o precursor da reportagem no Brasil, João do Rio. Porém, Barcellos se mostra muito mais profissional do que o jornalista dos primórdios da reportagem. Ao contrário de João do Rio, Barcellos é conhecido como um jornalista profissional e não como um boêmio. Claro que o cenário é outro. Melhor, os tempos são outros, já que ambos os locais descritos fazem parte do Rio de Janeiro. Por conta das diferenças temporais, inclusive com o aumento da criminalidade, Barcellos correu muito mais riscos do que do Rio.

Na apuração, Caco fez alguns acordos com os traficantes. Ele não queria saber do que ocorria no presente, apenas com os dados e as memórias do passado. Barcellos deixava bem claro que era um jornalista e que se soubesse de algo teria que denunciar. O Modus Operandi utilizado pelo autor é mostrado em toda a obra. Toda a explicação técnica da apuração de Caco Barcellos faz a obra ser de grande importância para estudantes de jornalismo.

Ao descrever a vida na comunidade de Dona Marta, Caco se utilizou de muitos arquétipos para contextualizar a obra, como por exemplo Doente Baubau, que era o viciado em drogas e tinha problemas mentais ou Raimundinho, que era o exterminador da favela. Até Juliano se tornou uma figura caricata em alguns trechos do livro, seja como conquistador ou como “Robin Hood”. Estas técnicas foram válidas no sentido de aproximar a obra do leitor, trabalho que Caco Barcellos fez muito bem no livro. Graças a uma apuração detalhada e uma redação clara em O Abusado.

Resenha escrita para a disciplina de Redação Jornalística II na Universidade Estadual de Ponta Grossa em 2009

O líder de uma tribo princesina

Cabelo Black Power no melhor estilo anos 70, camisa da seleção brasileira e uma calça jeans. Desta forma se apresenta o nosso personagem, que já virou celebridade musical em Ponta Grossa. Para alcançar este status, Scilas de Oliveira batalhou muito. Percorreu os caminhos da música erudita, tocou sozinho em bares na noite da cidade e hoje é vocalista da banda Mandau.
 
Ponta Grossa, dia 21/11. A cidade que ficou pequena para Scilas e a sua banda está pronta para mais uma apresentação. As luzes se apagam e aplausos ecoam no Cine Teatro Ópera. O vocalista entra lentamente no palco. Nenhuma palavra é dita. As boas-vindas são dadas através dos acordes da primeira canção. O público entra em delírio. E o show está apenas começando.

Voltar à Ponta Grossa representa muito para Scilas. Mais do que se apresentar no local onde se consagrou, é a chance de rever à família, os amigos e a namorada. Desde julho deste ano, o músico mora em São Paulo junto com os outros integrantes da Mandau. Na capital paulista, eles pretendem conquistar o Brasil com a mistura de samba, black music, soul e música latina que a banda faz.

Desde criança, Scilas dava mostras que seguiria a carreira musical. “Nem sabia falar, mas quando escutava uma canção, ficava murmurando a melodia”, conta o pai do cantor, Augusto de Oliveira. Até hoje, os pais do músico tem as primeiras gravações dele. Com cinco anos de idade, o pequeno garoto já interpretava sucessos da música sertaneja da época. “Ele era afinado”, completa Augusto.

Com nove anos de idade, Scilas já tocava os primeiros acordes de violão e teclado. “Com onze anos, ele até fez uma participação como backing vocal na banda do tio”, conta a mãe, Marilza Oliveira. Porém, foi com doze anos de idade que a vida musical do cantor deu uma guinada. “Foi no conservatório musical que eu realmente aprendi a tocar. Lá tive uma formação erudita”, diz o próprio Scilas.

Mesmo em uma família repleta de músicos, ele foi o primeiro a conseguir uma vaga no disputado conservatório da cidade. O pai dele tentou cinco vezes entrar e não conseguiu. “O mais incrível é que entrou de primeira”, conta o pai. As aulas de violão clássico deram uma formação teórica e aprimoraram a técnica de Scilas. Tanto que quando se formou, foi convidado para dar aulas no local, mas não aceitou.

Aos 16 anos é que Scilas descobriu uma nova paixão: o samba. “Quando eu era criança gostava de música sertaneja. Depois comecei estudar erudita e a ouvir pop rock nacional. Por fim, descobri o samba e o soul e fui me aprimorando”, diz o cantor. E foi viajando aos clássicos destes ritmos que Silas se inspirou e compôs quase cem canções até o momento na sua carreira.

Scilas é um dos raros casos de músicos sempre conseguiu se sustentar sem outro emprego complementar. Ao contrário, com a música pode inclusive ajudar os pais na época em que estavam desempregados. “Seja com shows em bares ou dando aula, ele se manteve pela música”, diz a mãe do cantor.

Aos 17 anos, o músico teve seu primeiro grande momento na carreira: a premiação como revelação do Festival Universitário da Canção (FUC) em 2005. Como prêmio, ele ganhou um violão e um pouco de fama na cidade. “A canção Ventos de Amor é que me levou ao prêmio. Foi um momento emocionante demais para mim”, diz Scilas.

As coisas estavam mudando em um ritmo alucinante para o cantor. Em uma das apresentações, conheceu a namorada Denise Ribeiro. “Lembro que ele estava tocando o Samba do Ernesto (música dos Demônios da Garoa) quando vi ele pela primeira vez. A gente acabou se conhecendo através de uma amiga em comum e estamos juntos até hoje”, diz Denise. O relacionamento já dura cinco anos.

Outro casamento mudou a vida de Scilas na mesma época. Ele já conhecia o tecladista Guido Júnior do conservatório e os outros integrantes dos shows na noite da cidade. Resolveram então criar um som que juntasse o gosto de todos. A miscelânea de ritmos resultou na banda Mandau. Segundo o vocalista, o nome da banda vem de uma tribo africana e significa “a magia da música sobre as pessoas”.

Esta magia realmente contagiou os jovens de Ponta Grossa. Para os shows e as premiações aparecerem foi apenas questão de tempo. “O mais interessante é que antes da Mandau, os bares não contratavam grupos, apenas cantores de voz e violão. A banda ajudou a mudar as coisas”, afirma o pai de Scilas. O primeiro CD, com o mesmo nome da banda, vendeu cerca de 5 mil cópias. “Todas as vendas foram em shows”, diz o cantor.

Com tanto sucesso, a ida para São Paulo foi inevitável. “No começo foi difícil aceitar a ida dele, mas como era o melhor para todos, o jeito é se acostumar”, fala Denise. Scilas e a Mandau foram para a capital paulista sem nenhum show marcado e com pouco dinheiro.

Já na estreia, algo curioso aconteceu: “a gente ia dar a nossa primeira ‘canja’, mas quando terminamos a primeira música, entrou o pessoal do Profissão Repórter, da TV Globo. Eles estavam fazendo uma reportagem sobre barulho noturno. Não tocamos mais naquele dia”, conta Scilas. Mesmo sem querer, a Mandau já estava famosa nacionalmente.

Este início parece ter dado sorte para Scilas e seus amigos. Apesar de escrever canções que descrevem a região de Ponta Grossa, como Lagoa Dourada, as músicas tiveram boa aceitação em São Paulo. “O pessoal inclusive acha que é algo psicodélico a história de Lagoa Dourada e cidade princesina”, explica o músico. Os shows começaram a aparecer, até que o grande momento da carreira de Scilas aconteceu.

Um festival de uma empresa de telefonias reunia 130 bandas de todo o Brasil. O prêmio era tocar em um festival na cidade de Santos, junto com nomes como Jota Quest e Toni Garrido. A Mandau venceu e fez o maior show da carreira. “Tocar para 55 mil pessoas foi perfeito. Acho que é o começo de tudo”, conta Scilas.

O cantor diz que já realizou uma parte de seus sonhos, mas como todo artista em ascensão, ele quer mais. “Não imaginava chegar tão longe, sempre fui muito pé no chão. Mas, agora a gente quer ir cada vez mais longe. E buscar uma estrutura cada vez melhor para podemos mostrar a qualidade da banda”, conta Scilas de Oliveira, que com apenas 23 anos já é um dos mais famosos músicos da cidade princesina, reino da lagoa dourada.

Reportagem escrita para a disciplina de Redação Jornalística II na Universidade Estadual de Ponta Grossa em 2009

Liberdade ou libertinagem?

O homem é livre. Pode fazer o que quiser. A felicidade está intimamente ligada ao poder do livre arbítrio. Todos estes conceitos e frases citadas anteriormente dão uma ideia de que o homem está livre neste universo gigantesco em que vive. Os problemas começam a surgir quando começamos a refletir sobre estes axiomas. Será que somos realmente livres? E principalmente, será que precisamos ser livres para ser felizes?

Minha intenção não é responder nenhuma das duas perguntas, afinal levantar tais questões é mais importante do que respondê-las. Mas, pelo menos tentarei explicar e refletir sobre liberdade e regras. Farei isto utilizando exemplos práticos da vida cotidiana do nosso mundo contemporâneo.

Outro dia, uma senhora comentou com a minha mãe sobre uns “baderneiros” que organizaram uma festa ao lado da casa dela. “Eles arremessavam camisinha para fora da casa. Entrava drogas e bebidas na casa. Tinha até um canto mais escuro para as garotas dançarem com pouca roupa”, dizia senhora. Pelo que parece, os jovens extrapolaram toda a liberdade que tiveram.

Porém, tive outra versão da mesma história. Alguns colegas que estiveram presente na festa disseram que nada disso havia ocorrido. E se tivesse ocorrido não seria perceptível para alguém que estivesse do lado de fora. O máximo que poderia ter incomodado a senhora era que teve som alto até “altas horas da madrugada”. Chegamos a um paradigma: quem está certo?

Liberdade é um valor muito belo na teoria. Mas, na prática as coisas são mais complicadas de se aplicarem. Em uma história como a da festa, nunca saberemos se os jovens extrapolaram a liberdade. Afinal como se mede esta liberdade? Nem a legislação consegue medir corretamente o valor de liberdade, já que de tempos em tempos consegue ser contraditória.

Creio que a liberdade é algo muito mais ligado a sensibilidade interna do que exterior. Mas, afinal como saberemos se a nossa liberdade terminou? Uma boa saída seria aplicarmos limites a nós mesmo, sempre baseados no bom senso e na nossa experiência de vida. Se vivêssemos assim, nem precisaria regras.

Texto escrito para a disciplina de REOE na Universidade estadual de Ponta Grossa em 2009

Do caipira ao universitário

A música sertaneja se transforma para se tornar cada vez mais popular

A música sertaneja caiu novamente no gosto popular em todo Brasil. Os números comprovam a popularidade do ritmo. Segundo a Associação Brasileira de Produtores de Discos, entre os dez álbuns mais vendidos de 2008, quatro eram de cantores sertanejos. O que alavancou as vendas nos últimos tempos foi a popularização do sertanejo universitário, mais nova variação do estilo.
O sertanejo universitário pouco lembra as modas de viola tocadas pelos precursores do sertanejo de raiz (ou música caipira) do início do século passado. O novo ritmo utiliza elementos do rock, axé e até de música eletrônica em seus arranjos. A diferença entre estas duas ramificações da música sertaneja é reflexo das inúmeras mudanças que o estilo sofreu desde sua fundação até hoje.
Segundo o site do dicionário Cravo Albin da música brasileira, o primeiro disco de sertanejo no Brasil foi de Cornélio Pires, em 1928. Mas antes disso, já existiam indícios do estilo musical. “No início do século passado, Villa-Lobos já exibia elementos de música caipira em suas composições”, conta o professor de música Davi Bronguel. A música caipira era tocada basicamente em viola e contava histórias de elementos da vida no interior do Brasil.
A tradicional forma de se cantar em duplas vem desde o sertanejo de raiz. “Cantar assim é uma das marcas do sertanejo. A primeira voz segue a melodia da música e a segunda faz o complemento, sempre com uma nota um pouco mais alta”, explica a professora de piano Jociane Pereira. O resultado da união das duas vozes é um som harmônico, ou seja, mais “cheio” que uma melodia cantada em solo.
Por volta da década de 1980, uma nova ramificação surgia na música sertaneja. “O sertanejo romântico logo caiu no gosto do povo. Os temas das músicas eram amor, paixão e dor de cotovelo”, explica o radialista Stéfano Júnior, que tem um programa musical totalmente voltado ao gênero. Foi no sertanejo romântico que o estilo se popularizou e se espalhou pelo Brasil.
“A música sertaneja viveu um período de ouro entre final de 1980 e começo de 1990”, diz Stéfano. Nesta fase, Duplas como Chitãozinho & Xororó e Leandro & Leonardo surgiram e se tornaram sucessos populares. Nas músicas, foram agregados instrumentos como guitarra e bateria e os shows começavam a ser superproduções, dignas de astros da música pop.
O sertanejo universitário é o sucessor do sertanejo romântico. Além das músicas que falam de amor, foram compostas canções alegres, sem sotaque do interior e inclusive com algumas gírias. As novas duplas pouco lembram os “caipiras” do sertanejo de raiz. A nova divisão do sertanejo conquistou as festas do público entre 15 e 30 anos. Após o samba e forró, o sertanejo também ganhava o título de universitário.
O músico Orlando Rossini, fala que apesar de não gostar muito do sertanejo universitário, está feliz com a fase que a música atravessa. “O sertanejo está mandando no pedaço. Até quem toca o sertanejo de raiz se beneficia com isto”, fala Rossini, que tem em seu repertório músicas sertanejas de raiz e romântico e só agora decidiu lançar seu primeiro CD.
Com tantas mudanças, a “nova” música sertaneja é criticada por ter se tornado um produto exclusivamente comercial. “Tecnicamente, algumas canções são boas. Mas artisticamente, não há como valorizar uma música feita para vender”, afirma Bronguel. Jociane também critica a música sertaneja recente: “O sertanejo original foi deturpado para poder vender. Virou música pop”, conta a professora.


Reportagem escrita para ojornal Foca Livre em 2009

10 de dezembro de 2009

Sensacionalismo acaba em tragédia sangrenta

Nos últimos anos, o jornalismo impresso encontrou uma saída para escapar da sua tão temida morte: os jornais populares. Em praticamente todos os estados brasileiros existe um veículo desta segmentação. No Paraná, o representante popular é a Tribuna do Paraná do Grupo Paulo Pimentel, que também veicula o “sério” Estado do Paraná.

O jornal utiliza uma fórmula muito simples para vender: mexe com as emoções do “povão”. Os temas mais recorrentes na Tribuna são futebol, sexo e violência urbana. Os assassinatos são noticiados com pitadas de humor negro. Um crime cometido por causa de uma briga ganhou o título de “Apelido da Morte”, uma agressão de um pai sobre um filho foi batizada singelamente de “Criança Pela Janela”.

Além dos pitorescos crimes noticiados (quase todos de Curitiba, lugar violentíssimo), o jornal é um dos poucos que ainda veiculam classificados de garotas de programa. Além de um espaço dedicado às beldades das boates da capital paranaense. O restante do jornal fica dedicado ao futebol com direito a muitas “cornetadas”, os comentários dos torcedores que sempre soam como provocação aos rivais esportivos.

A Tribuna do Paraná é um exemplo de um jornalismo preocupado apenas com o financeiro. Se forem estes temas que vendem, então é o que iremos publicar. Fica no ar uma última questão: se o jornal é dedicado às classes D e E da população, porque o preço é tão elevado (R$1,50)? Vale lembrar que em Santa Catarina o jornal do mesmo segmento custa menos do que a metade do preço (R$0,60)

Serviço
Jornal A Tribuna do Paraná
Preço: R$1,50
Periodicidade: Diário
Encontrado nas bancas da cidade

Crítica escrita para o blog Crítica de Ponta em 2009

Números mostram crise no jornalismo impresso

“Venham rápido que o jornal está acabando”. Se esta frase fosse dita no início do século XX, provavelmente as pessoas que a ouvissem correriam para pegar seu precioso exemplar de informação. Mas os tempos mudaram. Com o surgimento de outras mídias, o jornalismo impresso se sente cada vez mais ameaçado e sua morte é anunciada por muitos profissionais da área. Será realmente o fim?

Dados divulgados pela World Association of Newspapers (WAN) mostram que a leitura de impressos têm caído ano a ano nos países desenvolvidos. O cálculo é feito da seguinte forma: faz-se a divisão do índice de cópias pelo número de habitantes de determinado local. O resultado é o número de exemplares de jornais pelo número de pessoas.

A queda é perceptível nos países desenvolvidos. Nos Estados Unidos o índice caiu mais de 10% no período de 2001 a 2006. Em 2001, havia no país 274,1 jornais para cada mil habitantes, valor que foi caindo gradativamente. Em 2006, o número chegou a 241,2 exemplares/mil pessoas. Foram justamente estes dados que acionaram um alerta vermelho no jornalismo americano.

No Reino Unido e na Alemanha, as estatísticas são ainda mais cruéis. Na terra da rainha Elizabeth II, o índice caiu de 408,5 para 335,4 exemplares por mil habitantes, resultando em -20% de 2000 até 2006. Na Alemanha a queda é mais acentuada ainda. Em 2000, o país tinha 375,2 impressos/ mil pessoas. Este valor chegou em 2006 a 297,9. Queda de quase 25%. A cada quatro exemplares, um parou de circular de 2000 a 2006.

Com a perda de espaço para outras mídias, principalmente a internet, artigos decretando a morte dos impressos começaram a surgir. Um dos que gerou mais polêmica foi o da revista britânica The Economist, que em 2006 fez a reportagem intitulada “quem matou o jornal”. O veredito já estava dado no título. Os dias da tradicional mídia impressa estavam contados.

Segundo a revista, a internet era a principal responsável pela “morte dos jornais”. “De todas as ‘antigas’ mídias, o jornal é o que mais tem a perder com a internet. Há décadas a circulação de jornais impressos tem tido queda nos Estados Unidos, na Europa Ocidental, na América Latina, Austrália e Nova Zelândia. Porém, nos últimos anos, a web tem acelerado esta baixa”, dizia um dos trechos do artigo.

Todo este alarde fez as próprias empresas tomarem algumas atitudes. Hoje, praticamente todos os principais jornais do mundo contam com uma versão eletrônica, que tem conteúdo distinto do que é veiculado nos impressos. O lançamento de leitores eletrônicos, como o Kindle, é mais uma forma de comércio dos grandes conglomerados jornalísticos, como a New York Times Company.


Situação no Brasil

O número de jornais por habitante também caiu no Brasil. Os impressos, que já não tinha grande circulação em comparação com outros países, diminuíram cerca de 10% em relação ao número de pessoas de 2000 a 2006. O índice era de 60,6 exemplares por mil brasileiros em 2000 e caiu para 53,4/1000 seis anos depois.

Outros dados também apontam um perda do jornal em relação a internet. Segundo a Associação Nacional de Jornais, em 2001, a parcela que os impressos detinham de toda publicidade veiculada na mídia era de 21,73%. Este índice caiu para 15,91% em 2008.

Em contrapartida, a internet cresceu no período. Em 2001, ela sequer constava nas estatísticas. Já em 2008, ela contava com 3,54% do mercado publicitário da mídia. Este dado tende a crescer em um ritmo mais acelerado, já que o número de leitores de jornais pela internet aumenta a cada ano no Brasil. Segundo o Ibope, todo mês 12 milhões de pessoas leem notícias pela web.

Alguns jornalistas acreditam que o jornal ainda tem muito tempo de vida. Eloir Rodrigues, editor-chefe do Jornal da Manhã, afirmou em uma palestra para estudantes de jornalismo que o impresso estava longe do fim. “Tem pessoas que cumprem um ritual de ler segurando o jornal. É um hábito que não irá acabar tão cedo. Ler no computador é mais desconfortável”, explicou Rodrigues.

A crise dos impressos não é a primeira da história. A cada novo veículo de comunicação que surge, anuncia-se o fim dos jornais. O que tem acontecido é uma queda gradativa, mas nunca “a morte”. Isto também aconteceu com a chegada da internet. Resta saber se é ela que finalmente vai “assassinar” a mídia mais tradicional do jornalismo.

Reportagem escrita para a disciplina de Redação Jornalística II em 2009

9 de dezembro de 2009

Fontes oficiais

Os alunos que participam das atividades laboratoriais do Foca Livre enfrentam um desafio todas as vezes que precisam fazer alguma reportagem com assuntos ligados à universidade. Conversar com as fontes oficiais da UEPG tem se tornado uma tarefa cada vez mais complicada para os estudantes envolvidos no projeto.

Para quem não conhece os jargões jornalísticos, fontes oficiais são todas as pessoas que podem responder por alguma organização. Ou seja, se necessitamos saber a opinião de algum órgão sobre determinado assunto, conversamos com seu representante. Esta pessoa não exprime apenas as suas ideias, mas também o ponto de vista de toda a instituição.

Na UEPG, as fontes oficiais se constituem nos chefes de departamento, no caso de assuntos relacionados a cursos; diretores e pró-reitores de setores administrativos, quando se trata de problemas ligados ao funcionamento da administração. Já para falar sobre problemas e acontecimentos da Universidade, a pessoa mais indicada para falar é o reitor.

O Foca Livre é um jornal que tem como compromisso cobrir acontecimentos e questões relacionadas à UEPG para satisfazer seu público alvo, a comunidade universitária. Não ter acesso as fontes oficiais dificulta muito o trabalho dos estudantes e futuros jornalistas. O esforço empenhado em conseguir encontrar alguém que responda pela UEPG resulta na formação de profissionais mais preparados.

Um exemplo disso é a matéria que trata sobre cargos comissionados, onde a reportagem tentou conversar com o reitor da UEPG sobre o assunto, mas não conseguiu. Quando os dois se encontraram, o reitor disse que estava muito ocupado para falar.

Produzir um jornal é muito mais do que escrever. Trata-se de um esforço no qual o jornalista busca encontrar a informação mais correta para repassar ao leitor. Esse é o objetivo do Foca Livre, mesmo que tenhamos dificuldades com as fontes oficiais. Talvez seja o desafio que ajude a formar profissionais de qualidade no jornalismo.

Editorial escrito para o jornal Foca Livre em 2009

Um canto calmo e esquecido na UEPG

No meio do estresse da vida acadêmica, professores e alunos nem se dão conta do belo cenário à sua volta. A consequência disso é que locais como a Praça Santos Andrade, na frente do Campus Central da UEPG, acabam esquecidos pelas pessoas que passam por lá todos os dias.

O espaço é um dos pontos mais arborizados do centro de Ponta Grossa. Mesmo nos dias mais quentes, uma leve brisa deixa o ambiente agradável e convidativo para alguns minutos de relaxamento. Apesar do clima tão favorável, são raras as pessoas que dedicam alguns dos seus preciosos minutos para relaxar no local.

A Santos de Andrade é mais utilizada como “cartão postal”, sendo o ponto de referência da UEPG nas fotos que descrevem a Universidade. Tanto que oito entre dez imagens que apresentam a UEPG utilizam são do local. É uma pena que a praça seja mais utilizada nas fotos do que na realidade.

Existe uma proposta para utilizar o ponto como estacionamento para carros de professores da Universidade. Uma decisão como esta acabaria com toda a tranqüilidade que o local transmite. Mas, já que ninguém tem tempo de ficar na praça para relaxar, porque não encher de carros no local? Talvez para não mudar o cartão postal da UEPG.

Serviço:
Praça Santos de Andrade n°1
Fica na entrada do Campus Central da UEPG
Entrada: Gratuita


Crítica escrita para o blog Crítica de Ponta em 2009

O que você vai fazer quando o mundo acabar

O ser humano sempre cultivou um fascínio pela morte. Talvez por ser a “única coisa que seja certa”, o fim da vida criou ao mesmo tempo um pânico (exceto os suicidas) e uma curiosidade das pessoas sobre o tema. Se o fim da vida é um assunto polêmico, o último dia de todas as pessoas do mundo desperta mais debate ainda. Não são raros os profetas que anunciam o término da vida das pessoas na Terra.

As formas que o mundo vai acabar são as mais variadas. A Bíblia, livro mais vendido e lido de toda história, conta sobre o dia em um anjo tocaria uma trombeta para anunciar a volta de Deus retornará à Terra, para o julgamento final. Segundo o Apocalipse, as pessoas que seguirem Deus serão salvas, mas os pecadores não serão perdoados quando o mundo acabar.

O texto do Apocalipse é tão subjetivo que dá margem a várias interpretações e super interpretações a respeito do tema. Como não existe data prevista para o fim na Bíblia, muitos profetas resolveram arriscar um palpite sobre este dia. Datas para o fim do mundo já foram dadas. 1900, 1988, 2000 foram alguns dos anos no quais a foram previstos que o mundo acabaria.

A próxima data citada é 2012. Agora vem a pergunta que não quer calar: o que faríamos quando o mundo acabasse? A resposta é única: por mais que nos esforçássemos, não conseguiríamos fazer nada. Já que não conseguiríamos fazer nada, por que pensamos tanto no fim? Por que não nos preocupamos com o presente, em fazer o certo enquanto há vida?

Perguntas paradigmáticas à parte, o ser humano deveria se preocupar menos com o fim do mundo e sim se preocupar em preservar o mundo que existe. O aquecimento global está aí, desastres acontecem à frente dos nossos olhos e nada fazemos. Estes ações (ou não-ações) podem não acabam com o mundo, mas com certeza terminará mais rápido com a vida de muitas pessoas. Eis o verdadeiro fim.

Texto escrito para a disciplina de REOE em 2009

Uma vida entregue ao ensino

As crianças de dois a cinco anos que frequentam o Centro Municipal de Educação Infantil (CMEI) Maria da Graça Franke Minini não fazem ideia da importância da mulher que deu o nome ao local, que fica no bairro Olarias. Mal sabem estes pequenos alunos que se não fosse ela, muitos de seus pais talvez não terminassem sequer o 1° grau. Minini foi a principal responsável pelo crescimento da educação no bairro, durante os trinta anos de sua vida que dedicou à educação.

A professora Maria da Graça nasceu em 1952 e viveu toda a sua vida em Ponta Grossa. Desde pequena ela tinha o sonho de lecionar. Aos dezoito anos, ela terminou o Magistério e logo começou a dar aulas no Colégio Municipal José Elias da Rocha, também no bairro Olarias. Ao mesmo tempo em que dava aulas às crianças da escola, ela estudava Matemática na Universidade Estadual de Ponta Grossa, onde se formou em 1976.

Justamente no Colégio José Elias que a professora fez grande parte de sua obra. “Ela era rígida, mas ao mesmo tempo levava em consideração que muito dos alunos não tinha sequer o que comer em casa. Ela foi um exemplo de dedicação”, disse a professora Joelma de Lara, ex-aluna de Maria da Graça. Desde a época em que dava aulas, Minini organizava campanhas para coletar alimentos e materiais escolares para os estudantes mais carentes.

“Ela trouxe os pais dos alunos para a escola. O debate entre pais e professores ajudou muito no crescimento da escola”, conta a professora aposentada Ivone Kmiesch. Maria da Graça foi responsável pela criação da Associação de Pais e Mestres (APM) da escola. Logo após este fato, ela se tornou diretora do Colégio José Elias, em 1984. Nesta época, a professora chegava a ficar por doze horas por dia na escola e aproveitava os fins de semana para organizar atividades extracurriculares.

José Elias era até então uma escola primária, que ia até a quarta série e tinha pouca estrutura. Foi na administração da professora Maria da Graça que o colégio cresceu, com classes até a oitava série. Nesta época Minini conseguiu organizar a construção de um ginásio de esportes no local. “Com pulso firme, ela fez a escola crescer. Gostavam tanto dela, que em uma oportunidade fizeram uma mobilização para que ela não saísse da direção”, conta a ex-aluna Joelma.

Maria da Graça levava o ensino para fora da sala de aula. Ela organizava palestras sobre o Estatuto da Criança e do Adolescente em conjunto com o Ministério Público para pais e alunos. Como diretora, ela firmou parceria com o curso de Odontologia da UEPG para trazer ao bairro uma clínica odontológica para o bairro, serviço que existe até hoje em Olarias. A gestão como diretora se encerrou em 1996. No mesmo ano, Minini se aposentou.

Após sair do Colégio José Elias, a professora resolveu abrir uma escola de educação infantil. Mesmo depois de ter descoberto um câncer no útero, ela continuou tocando este projeto. Maria da Graça se dedicou a educação até a sua morte, aos 48 anos, em 2000. A professora deixou dois filhos e o marido José Olímpio, que fala das saudades da esposa: “ela era dedicada ao trabalho, mas também era feliz em casa. Nunca existirá pessoa tão obstinada como ela”, afirma o viúvo.

Em 2001, um pouco depois de um ano da sua morte. Maria da Graça Franke Minini virou nome de uma rua na Vila Santana, dentro do Bairro Olarias. E Em 2007 foi construída uma escola com seu nome, também na Vila Santana. No CMEI Maria da Graça Franke Minini, uma foto da professora com olhar altivo e com um sorriso no rosto ilustra uma pessoa que trabalhou grande parte de sua vida com alegria e perseverança para melhorar a educação. Não do mundo todo, mas do seu universo.

Reportagem escrita para a disciplina de Redação Jornalística II na Universidade Estadual de Ponta Grossa em 2009, para o Portal Comunitário e para o site da Rádio Clube em 2010

Uma vida de sexo e negócios

Um trabalho em horário comercial, carteira assinada, salário fixo e tentativas de promoções de cargo. Nenhum desses requisitos faz parte da vida desta mulher de 31 anos, rosto cansado e um pouco acima do peso que se apresenta como Ivone. Ela trabalha na profissão conhecida como a mais antiga do mundo: é garota de programa há quatro anos e trabalha no Niki´s bar, localizado no centro de Ponta Grossa.

O cenário onde Ivone passa metade do seu dia é um dos locais mais folclóricos da cidade. O bar se localiza em uma esquina, em frente a um semáforo e uma lombada. Conta-se popularmente que esta combinação é feita para as pessoas serem forçadas a pararem no Niki´s. Mel, a gerente do local brinca com a lenda: “Foi a prefeitura que quis nos ajudar”, diz a chefe de Ivone, aos risos.

Apesar da “popularidade”, o local não tem boa infra-estrutura. Um pedaço velho de madeira tampa metade da entrada do bar. Ele serve para proteger as “damas da noite” dos olhares discriminatórios das pessoas que passam na movimentada rua à frente do local. Ivone trabalha em um ambiente com paredes mofadas e uma velha Jukebox, que toca incessantemente velhos sucessos da música sertaneja.

Ivone é natural de Guarapuava. De família humilde, começou a estudar com 10 anos de idade. Parou aos 16, na sexta série do ensino fundamental para se casar com Carlos e se mudar para Ponta Grossa. Do casamento de 12 anos, nasceram duas crianças. Uma com sete e outra com 12 anos. A família vivia junto até o marido sair de casa para se casar com outra mulher. Este foi o passaporte para a nova vida de Ivone.

Apesar de declarar não gostar da vida que leva, Ivone não vê perspectivas de mudança. “Este trabalho é um vício. É que nem uma droga. Aliás, eu não uso drogas. Mas, creio que tenho problemas para sair desta vida. O dinheiro é fácil”, diz a garota de programa. Ela ganha de dois a três mil reais por mês com o trabalho, mas para chegar esse valor tem que “ir para o quarto” cerca cinco vezes por dia.

O dia de nossa personagem começa tarde. Ivone acorda às 14 horas. Não tem horário para estar no Niki´s, mas costuma chegar ao trabalho às 5. As “primeiras horas do dia” dela são para fazer tarefas triviais do dia-a-dia. “Tenho que me cuidar o máximo possível. Vou ao cabeleireiro e a manicure toda semana. Nas tardes eu faço compras no mercado e em lojas”, fala Ivone.

Quando caminha pelas ruas do centro de Ponta Grossa. Ela tenta passar despercebida no meio da multidão. “Ninguém sabe o que eu faço, e isto não está rotulado na minha cara. Claro que tenho medo de algum escândalo, mas mesmo quem me conhece não vai dizer quem eu sou”, explica Ivone. De qualquer forma, a garota evita lugares onde pode ser reconhecida, como no trabalho de alguns de seus clientes.

Em uma vida onde sexo é negócio, Ivone sente dificuldades de se relacionar efetivamente. “Minha vida não tem amor. Minha maior decepção eu já tive. Eu tenho que ser profissional, já tive namorados fora do trabalho, mas é difícil alguém aceitar a vida que eu levo”, conta a garota de programa. Mesmo dos “namorados fixos”, ela costuma cobrar para transar.

Às 5 da tarde, Ivone está no bar. Com uma roupa curta, ela ouve gracejos a noite inteira. A ousadia dos clientes vai longe. Num cenário de luz baixa e com diversas garrafas de cerveja vazias, os homens se esfregam e põem a mão em todos os lugares que conseguem nas garotas. No dia desta entrevista, cinco meninas de 25 a 40 anos e a gerente Mel estavam “divertindo” quatro homens no Niki´s.

“Sexo é bom, mas quando a coisa se torna obrigatória é terrível. Os caras acham que a gente pode fazer tudo, principalmente quando entramos no quarto”, relata Ivone. O “quarto” do bar não passa de uma área de 5 metros quadrados com uma cama de casal. A porta do “ninho do amor” é uma cortina suja. É neste espaço que a garota de programa se entrega aos clientes. O preço médio é do programa é 50 reais.

Ivone diz que já passou por tudo no Niki´s. “Já tive que apartar briga de gangues, que quebraram todo o bar. Também já briguei com outra garota. Estávamos bêbadas e ela tinha muito ciúme de mim. Acabamos saindo nas garrafadas. Terminamos no pronto-socorro e minha herança é essa aqui”, conta a garota enquanto aponta para a pequena cicatriz que tem no queixo, fruto da briga com uma “colega”.

Após o dia de bebidas, cigarros e homens, a nossa personagem volta para casa por volta das três da manhã. “Moro a uma quadra do trabalho. Volto tão cansada que só me resta dormir”, diz Ivone. O domingo é o único dia diferente da semana para ela. Depois de uma semana vivendo e sobrevivendo do sexo, a garota de programa vê os homens que ela mais ama: seus pequenos e até agora inocentes filhos.

Nos domingos, Ivone pode relembrar a vida de dona de casa que levava antes de virar prostituta. Ela vê os filhos, que não sabem ainda da vida alternativa da mãe. As crianças moram com a avó paterna, com quem Ivone mantém boa relação, apesar da fuga do marido. A folga é o dia em que nossa personagem aproveita para fazer várias coisas diferentes, como por exemplo, não fazer sexo. Afinal, todos têm que descansar.

 Reportagem escrita para a disciplina de Redação Jornalística II na Universidade Estadual de Ponta Grossa em 2009

Resultado do IGC confirma: Universidade continua longe do terceiro lugar

Dos 15 cursos avaliados em 2008, nenhum teve a nota máxima na avaliação do MEC

A classificação do Índice Geral de Cursos (IGC) 2008, divulgada no último mês pelo MEC, confirma a UEPG em 41° lugar entre as universidades brasileiras. A posição é bem distante do terceiro lugar noticiado pela Universidade após o resultado do Enade 2007, divulgado no ano passado. Mesmo assim, adesivos anunciando a UEPG entre as três melhores do Brasil podem ser encontrados nos Campus Central e de Uvaranas.

No IGC 2008, foram avaliados 15 cursos de extensão da Universidade. Pedagogia foi o que obteve o melhor desempenho. Porém, nenhuma graduação alcançou a nota máxima do Conceito Preliminar de Curso (CPC), que varia de 1 a 5. Este desempenho colocou a UEPG como a 5° colocada entre as sete universidades públicas do Estado do Paraná.

A presidente da Comissão Permanente de Avaliação (CPA) da UEPG, Mary Ângela Brandalise fala sobre a diferença dos resultados do Enade e IGC: “as pessoas tendem a confundir o Enade e o IGC. Um avalia os alunos das graduações através de uma prova. Já o outro é mais completo: leva em conta diversos fatores, como titulação de professores, infra-estrutura dos cursos e próprio Enade”, afirma Brandalise.

O professor de Física Pedro Rodríguez acredita que o resultado do IGC corresponde mais a realidade da universidade do que a nota do Enade. “Estar entre as 50 melhores do Brasil, o que não é tão ruim, é mais real do que ser a terceira melhor do país. O que foi feito no ano passado foi marketing baseado em resultado parcial”, diz o professor.

A distância da UEPG para o 3° lugar do Ranking do IGC é tão grande que para chegar a esta posição a universidade teria que ter a nota média 410 (de 0 a 500) em todos os cursos. A melhor nota conquistada este ano foi o 334 do curso de Pedagogia, bem distante deste índice. A Universidade ainda teve notas abaixo dos 300 em cinco cursos, sendo que a menor foi 242.

A coordenadora do curso de Pedagogia, Marjorie Mendes, admite que mesmo com a melhor nota da Universidade este ano e o conceito 4 na avaliação do MEC, o curso ainda tem muito que melhorar. “Para chegar ao topo precisamos de muitas mudanças, como aumento de 4 para 5 anos do nosso curso e reformas na infra-estrutura também”, diz Marjorie.

Brandalise afirma que independente da posição da UEPG no índice, o IGC tem uma importância muito maior do que classificar universidades como melhores ou piores. “A real importância dos índices avaliativos é fazer as universidades reconhecerem suas carências e solucioná-las, independente de posições em Rankings”, afirma a presidente da CPA.


Conheça as diferenças entre Enade e IGC

IGC, CPC, Enade, IDD. São tantas siglas que os índices avaliativos dos cursos superiores no Brasil ainda causam muita confusão em professores e estudantes nas universidades brasileiras. Conheça o que significa cada um e como é medida a qualidade no ensino superior no Brasil:

Enade: o Exame Nacional do Estudante (Enade) é uma prova aplicada aos estudantes ingressantes e concluintes dos cursos superiores no país. Cada curso participa da prova de três em três anos. A nota varia de 0 a 100 e envolve conhecimentos gerais e específicos das disciplinas de cada graduação.

IDD: o Indicador de Diferença dentre os Desempenhos Observado e Esperado (IDD) compara as notas dos estudantes quando ingressam e concluem um curso na universidade. Através deste comparativo, o MEC tentar descobrir o que cada curso de graduação agregou ao conhecimento do estudante.

CPC: o Conceito Preliminar de Curso (CPC) é um índice baseado no resultado do Enade (60% da nota), titulação e regime integral de professores (30%), método de ensino (5%) e infra-estrutura dos cursos (5%). O CPC varia de 0 a 500 (o da UEPG é 308) e em faixas de 1 a 5 (a UEPG está na faixa 4).

IGC: o Índice Geral de Cursos é alcançado através da junção da nota dos cursos de graduação, que é o CPC, juntamente com o conceito dos cursos de pós-graduação de cada universidade, que é feito pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). O IGC é a nota definitiva dos cursos superiores no país.

Reportagem publicada no jornal Foca Livre em 2009

7 de dezembro de 2009

POP: Pegajoso, óbvio e perecível

Uma das bandas de “rock” mais bem sucedidas de Ponta Grossa é a Diorama. Os caras conseguiram romper as barreiras musicais dos Campos Gerais e alcançaram algo que é sonho de dez entre dez bandas iniciantes: emplacar um clipe na MTV, uma das vitrines musicais no país.

Como a Diorama foi tão longe? Simples, ela utilizou a fórmula da fantástica fábrica de fazer bandas. As letras das canções falam dos sentimentos do vocalista Rogério Wack, como por exemplo, na música Te Espero, que levou a banda ao olimpo dos videoclipes na MTV.

Os garotos se vestem de uma forma descolada, mas ao mesmo tempo estão bem arrumados. O instrumental do grupo é simples e fácil de assimilar. O vocalista Rogério Wack canta com o “coração”, de uma forma que tentar passar emoção ao público. Nos refrões ele sempre recebe ajuda de uma segunda voz. Isto lembra algo?

Com essas características, a Diorama mostra que investe muito no Pop e esquece o Rock para conseguir fazer sucesso. E isso eles fazem muito bem, bom para que gosta de músicas que grudam. O sucesso da Diorama está garantido, pelo menos até o surgimento do “novo fenômeno do rock na MTV”.

Banda Diorama
Formação: Rogério Wack (vocais), Johnny Bonissoni (Guitarra e backing vocal), TIAGO (Teclado), Guto Buzzi (Baixo), Fábio Caballa (Bateria)
Videoclipe: http://www.youtube.com/watch?v=Ruq9qj247cw
Site: http://palcomp3.com/diorama/


Crítica escrita para o blog Crítica de Ponta em 2009

Algo se perdeu na tradução

Não são raros os filmes que sofrem distorções quando traduzidos para a Língua Portuguesa. Violência Gratuita é um deles. O título original da película é Funny Games U.S., significa algo como “Divertidos Jogos Americanos”. A tradução do título para Violência Gratuita expõe a selvageria do filme e esconde um elemento que não ganha a atenção dos olhares mais desatentos: os inúmeros estereótipos americanos.

Apesar do filme ser originalmente austríaco, a trama se encaixa perfeitamente na vida burguesa das famílias de classe média dos Estados Unidos. Um fim de semana no campo na tentativa de fugir do estresse da cidade, uma partida de golfe combinada, uma família “feliz”, um cachorro companheiro. Todos os itens fazem parte do famoso American Lifestyle. Este é bucólico cenário da trama.

O cenário se mostra tão bucólico que até os psicopatas do filme vestem branco. Os vilões do filme poderiam ser feios e assustadores, mas em uma história como Funny Games U.S. até os malfeitores teriam que ter o estilo americano. E no final, os belos americanos vencem novamente em um dos enredos mais óbvios da história do cinema. Pelo menos para os expectadores mais atentos.

Serviço:
Violência Gratuita (Funny Games U.S.) – 111 minutos
Ano: 2007
Diretor: Michael Haneke
Elenco: Naomi Watts, Tim Roth, Michael Pitt, Brady Corbet
País: Estados Unidos

Crítica escrita para a disciplina de Crítica de Mídia na Universidade Estadual de Ponta Grossa em 2009

O dia em que a Terra parou

Definitivamente, este ano de 2009 foi atípico. A população mundial lutou contra um inimigo invisível, ou melhor, microscópico. O vírus da gripe que surgiu no México se espalhou para o mundo todo. Os nomes foram muitos. Começou como Gripe Suína, depois virou Gripe A, Nova Gripe e H1N1, mesmo sem o vírus sofrer mutação alguma. A mutação, por sinal, é o maior medo da população.

Assim, o mundo foi dominado por um medo que se confirmava a cada morte anunciada constantemente pela imprensa. E no Brasil, o vírus cada vez mais se aproximava. A Gripe Suína chegou à América do Sul, dominou o Chile, a Argentina e finalmente se tornou a “nova coqueluche” no país tropical. Em pouco tempo, viramos os campeões da Gripe A.

Mas, pior do que a Gripe foi o pânico criado na sociedade brasileira. A “Suinofobia” atrapalhou alguns negócios, alavancou outros (quem havia comprado álcool gel alguma vez?) e cancelou eventos. Muitos eventos, por sinal. Festas esvaziaram, escolas fecharam, pacotes turísticos foram cancelados e hospitais lotaram. E por um tempo o Brasil parou, tal como na canção de Raul.

Portanto, quando o trabalhador não saiu para trabalhar, pois sabia que o patrão também não estava lá, algo estava legitimado. A vitória de um vírus diante uma humanidade que se diz soberana no planeta, construindo e destruindo em nome do “progresso”. Esse mês em que o Brasil parou mostrou o despreparo que o homem tem para enfrentar um inimigo novo e que não seja o próprio homem.

Para concluir, não acredito que a parada tenha sido desnecessária, afinal o espírito de sobrevivência norteia a nossa existência. O discutível é o clima de alarde criado pela gripe, que ajudou e foi decisiva para a paralisação do país e agora nos faz correr atrás do tempo perdido nas escolas e no mercado de trabalho. Ah, se Raul Seixas estivesse aqui para ver o dia em que a Terra parou.

Texto escrito para a disciplina de REOE na Universidade Estadual de Ponta Grossa em 2009

O luta diária contra o tabagismo

O que um estudante colegial, um casal e uma dona de loja podem ter em comum? Talvez eles nem se conheçam, mas diariamente travam uma luta contra um inimigo em comum: o cigarro. “Todo fumante quer parar de fumar, mas o primeiro cigarro depois um tempo sem fumar é tudo”. O autor desta frase é o estudante Tiago Lopez Justus, que tem 20 anos e é fumante há 5 anos, mas tenta vencer o vício do tabagismo constantemente.

A decisão de parar de fumar pode começar aos 20 anos, como no caso de Tiago, aos 30, como a farmacêutica Célia do Nascimento, aos 40, como o metalúrgico Waldenor do Nascimento ou aos 50, como a empresária Sandra Mayer. Por mais que exista diferença de idade entre estes “personagens”, as histórias da relação deles com o cigarro se cruzam e tornam-se muito parecidas, tanto na época de “romance com o vício” ou na fase de “rompimento com o cigarro”.

O ato de fumar começa para a maioria das pessoas como uma tentativa de integração social. Depois se transforma em uma necessidade que faz as pessoas colocarem relacionamentos, empregos e a própria saúde em cheque. Por fim, chega o momento da difícil decisão: largar o fumo. A partir desse momento começa a luta diária contra a dependência química e contra o desejo psicológico de realizar o ritual diário de fumar, que já era feito automática e inconscientemente pelos fumantes.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) explica que o cigarro é a segunda maior causa de mortes no mundo e classifica o vício do tabagismo como “difícil de ser tratado”, assim como a dependência da Heroína e da Cocaína. O principal elemento responsável pela dependência do fumo é a Nicotina, substância que estimula o Sistema Nervoso Central e acalma o cérebro do fumante sete segundos após uma tragada. O resultado disto é que o cigarro mata 50% dos fumantes, segundo dados da OMS.

O desejo de melhor qualidade de vida é o motivo que guia a vontade de parar de fumar. “Vivi minha juventude em uma época que fumar era charme, ajudava até nas conquistas. Hoje os tempos são outros. Fumava para me sentir melhor, mas meu médico dizia cada vez mais que eu estava pior. Isso me levou a querer parar de fumar”, afirma Waldenor. Ele fumava quatro maços por dia, conseguiu largar o cigarro há seis meses após participar de um curso para deixar o tabagismo, organizado pela igreja Adventista.

O pastor Gerson Marques explica como funciona o curso que ajudou Waldenor. “As pessoas chegam envergonhadas. Tentamos mostrar que não lutamos contra o fumante e sim contra o cigarro. Trabalhamos em duas frentes: chocamos com imagens de pessoas que tiveram doenças originárias do tabagismo e mostramos os benefícios de parar de fumar”, diz Marques. Segundo o pastor, 70% dos participantes largam o vício após o curso, mas apenas 30% se mantêm longe do cigarro permanentemente.

A esposa de Waldenor, Célia Nascimento foi ao curso para parar de fumar, mas mesmo assim não largou o vício. “Na semana que tentei parar de fumar não comia direito, não dormia direito e não ia ao banheiro direito. Engordei dois quilos e brigava com todo mundo. O mais estranho é que não sentia vontade de fumar, apenas ficava estressada”. Célia conseguiu ficar longe do cigarro por seis dias e voltou a fumar em uma festa.

As festas são os locais onde normalmente as pessoas começam a fumar, mas é principalmente onde elas reatam a relação com o cigarro. O clima é convidativo a um “pito”. A mesa de um barzinho onde os amigos fumam, misturada a tontura causada por alguma eventual bebida alcoolica e o clima de descontração são as senhas para acender um cigarro. “Quando voltei a fumar depois de 12 dias parado, fumei 20 cigarros”, conta Tiago ao falar de sua última recaída.

Vencer o hábito é um dos pontos mais difíceis do desafio para os dependentes do cigarro. Tiago conta que fumar servia para ele saber onde estava e a que hora estava. “Sempre fumava quando pegava o ônibus de manhã, antes do almoço, após o almoço e quando ia à escola à noite. Nem percebia e já estava com o cigarro”, diz Tiago. Célia também tem o hábito de fumar em sua agenda. “Se não fumo, parece que falta algo para fazer no dia”, conta Célia.

Para as pessoas que não deixam o cigarro, o risco de câncer e de doenças cardíacas aumenta sensivelmente, segundo a OMS. Sandra Mayer já convive com os males do cigarro. Fumante há 30 anos, ela sofre com pressão alta, diabetes e já foi recomendada a largar o vício, mas quando percebe que tem “apenas” três ou quatro cigarros na bolsa, ela compra uma carteira nova para garantir que terá seu companheiro ao lado para os momentos de maior nervosismo.

Tiago, Waldenor, Célia e Sandra são exemplos de milhares de pessoas que travam uma luta diária e imperceptível aos olhares mais despreocupados. É a luta da consciência contra o desejo de satisfação. Nesta batalha, eles conquistam vitórias e têm recaídas, fumam e param de fumar. E o pior desta situação é que eles não podem contar com o auxílio de quem os apoia no momento de maior angústia. O antigo amigo agora é oponente que seduz e tenta reatar a relação. Até que a morte os separe. 

Reportagem escrita para a disciplina de Redação Jornalística II na Universidade Estadual de Ponta Grossa em 2009

A importância do jornalista na sociedade contemporânea

Em uma sociedade que “respira” informação, uma questão fica cada vez mais latente e necessária de ser respondida: será que o mundo necessita de um profissional para apurar redigir e publicar informações? No Brasil, esta polêmica atingiu o seu ápice quando o Supremo Tribunal Federal decidiu que o diploma não é mais obrigatório para o exercício da profissão de jornalista.

Por conta das facilidades proporcionadas pelas novas tecnologias, hoje qualquer cidadão (que deseja) é um jornalista em potencial. Uma pessoa pode transmitir informações para milhares de outras pessoas sem precisar depender de um veículo de comunicação para fazer isto. Será que caminhamos para o fim do jornalismo profissional?

Obviamente, a resposta é não. Muitos dos jornalistas em potencial concordam com este fato, mas é inegável que para exercer a profissão de jornalista se faz necessário preparação profissional. Uma boa prática perpassa por uma base epistemológica forte, com conhecimento de técnicas de apuração e redação e conhecimento da ética jornalística. Uma boa formação é necessária para um profissional ter credibilidade.

Como fora citado no primeiro parágrafo, o mundo atual tem um volume de informação gigantesco. Uma das consequências deste fato é que nunca o ser humano esteve tão dependente de informação, como um viciado é dependente de sua droga. Este homem contemporâneo necessita que as informações o tranqüilizem, ele precisa saber como “andam as coisas”. E o alquimista que prepara sua “substância” é o jornalista.

A dependência da informação somada a necessidade de um profissional que cumpra com qualidade e rapidez o dever de proporcioná-las à população faz com que o jornalista seja de seja de grande importância na nossa sociedade. Afinal, se não existir as notícias, como as pessoas vão saber dos fatos do mundo, sejam eles interessantes para todos ou apenas para alguns.

Texto escrito para a disciplina de REOE na Universidade Estadual de Ponta Grossa em 2009

Prevenir-se contra o crime ou prevenir o crime

Em um país com grande desigualdade social como o Brasil, os índices de criminalidade são muito maiores do que nos países que não tem tantas diferenças sociais. Por causa da criminalidade, os brasileiros são obrigados a adotarem diversas práticas para se prevenirem contra a violência, que assola principalmente os grandes centros do país.

Para se prevenir contra a violência são criadas diversas cartilhas e manuais informativos, que tentam ajudar os cidadãos a conviver com este mal. Esses manuais afirmam que a prevenção é uma das maiores armas para evitar assaltos e outros crimes. O problema desses manuais, normalmente feito por policiais, é que tratam os ladrões como “vilões genéricos”, que agem de forma muito semelhante.

Entre as formas de se defender mais eficazes estão evitar lugares desconhecidos, principalmente à noite. Este tipo de defesa transforma os cidadãos em reféns da violência, pois quando não sofrem diretamente com ela, tem que conviver com o problema, limitando espaço e horizontes. Em países como o Japão, existem ruas sem nenhuma iluminação que podem ser “atravessadas” sem nenhum problema.

Será que o problema será solucionado na ação de prevenção? Classificar locais como perigosos ou seguros ajuda estigmatizar e isolar pessoas e pode ajudar inclusive a formar novos bandidos. Um menino que cresce em um local “maldito” tem grandes possibilidades de se tornar um “maldito” também e aí temos mais um problema para a sociedade.

Prevenção é importante, mas acima de tudo a questão da violência será solucionada com conscientização, educação e principalmente oportunidades a aqueles que entram para o crime porque não têm outra saída. Quem sabe quando chegar esse dia poderemos jogar fora todos os manuais preventivos contra o problema da criminalidade, mal que atrapalha o crescimento da nossa nação.

Texto escrito para a disciplina de REOE na Universidade Estadual de Ponta Grossa em 2009

3 de dezembro de 2009

Portal dos Periódicos busca organizar e divulgar revistas científicas da UEPG

O Portal dos Periódicos, lançado no dia 27/07, é um espaço onde estão reunidos os artigos científicos das principais revistas da Universidade, disponibilizados com o uso de software livre. Com o crescimento da divulgação, pesquisadores pretendem aumentar o número de citações em suas atividades científicas. Até então, as publicações eram disponibilizadas separadamente na internet, o que dificultava a busca dos artigos.

A diretora da Editora da UEPG, Beatriz Nadal explica o que muda com o Portal dos Periódicos: “Agora a informação está mais organizada para se ler. Com o Portal, colocaremos o nosso conteúdo em outras bases indexadoras, assim aumentado a divulgação e citação dos artigos das revistas da UEPG”. Com mais citações, pesquisadores e periódicos melhoram seus indicadores bibliométricos [ver boxe].

Outra mudança com o Portal dos Periódicos está relacionada à editoração das revistas, que a partir de agora será feita eletronicamente. “Antes, a pessoa mandava o artigo para avaliação via correio. Hoje, pode mandar pelo Portal dos Periódicos, que vai direto aos avaliadores. Isto facilita muito”, afirma o estudante Rafael Muños, que faz estágio na Revista UNILETRAS.

Algumas publicações da UEPG, como a revista de Direito Lumiar, ainda não estão disponibilizadas no Portal dos Periódicos. Nadal diz que apesar do treinamento dado aos editores, o grupo está bastante heterogêneo. “Acredito que seja questão de tempo até todos dominarem as plataformas, mas se alguém encontrar dificuldades na editoração, com certeza ajudaremos”, diz a diretora da Editora da UEPG.

Outras universidades estaduais já contavam com o espaço para divulgação de suas revistas científicas. A Universidade Estadual de Maringá (UEM) tem o Portal de Periódicos desde Outubro de 2007 e a Universidade de Londrina tem o espaço há mais tempo ainda. “Não tenho certeza da data, mas com certeza o espaço existe há mais de cinco anos”, afirmou a responsável pela livraria da UEL, Adelina Mitsunaga.

Indicadores Bibliométricos

Os indicadores bibliométricos são índices que medem a produção científica de pesquisadores e periódicos. Os principais indicadores existentes na atualidade são o Fator H, o Fator de Impacto e o Qualis. Os critérios de cada indicador que medem a produção científica de pesquisadores e universidades são:

Fator H (H-Factor): é calculado através do número de citações em relação ao número de publicações de um pesquisador. Se um pesquisador teve uma citação de um artigo seu, o Fator H é igual 1, se teve dois artigos com no mínimo duas citações cada, seu Fator H é igual a 2.

Fator de Impacto (Impact Factor): também é baseado no número de citações em relação ao número de referências dadas às revistas científicas. Para se chegar ao Fator de Impacto, faz-se a divisão do número de citações pelo número de artigos publicados.

Qualis: é uma classificação feita pela Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior). O índice leva em conta a qualidade e a circulação dos periódicos e classifica-os com os seguintes conceitos: A1, A2 , B1, B2, B3, B4, B5 e C, sendo A1 o melhor índice e C o pior.

TABELA
Veja o Fator H, o Fator de Impacto e o Qualis das revistas que estão no Portal dos periódicos da UEPG:
Emancipação Fator H7 - Fator de impacto 1,13 - Qualis B2~B5
Olhar de Professor Fator H3 - Fator de impacto 0,18 - Qualis B4
Práxis Educativa Fator H2 - Fator de impacto 0,20 - Qualis B2
Publicatio UEPG Fator H4 - Fator de impacto 0,75 - Qualis B4~C
Revista Conexão Fator H2 - Fator de impacto 1,82 - Qualis B5
Revista de História Regional Fator H5 - Fator de impacto 0,59 - Qualis B3
Revista Int. de Folkcomunicação Fator H2 - Fator de impacto 0,12 - Qualis B5
Terra Plural Fator H1 - Fator de impacto 0,12 - Qualis B4
Uniletras Fator H4 - Fator de impacto 1,11 - Qualis B5
*Fontes: Capes e Harzings´s Publish or Perish (Ano 2009)

Boxe II (Serviço)
O endereço do Portal dos Periódicos é http://www.uepg.br/editora/periodicos/

Reportagem publicada no jornal Foca Livre em 2009

Projeto busca inventivo à cultura com livros em ônibus

Levar livros para os ônibus e aumentar o número de leitores em Ponta Grossa. Esses são os objetivos do “Leitura Pegando Carona”, projeto da Biblioteca Municipal que funciona da seguinte forma: os livros são deixados nos ônibus de Ponta Grossa para os passageiros levarem para casa e depois devolverem. O maior desafio do projeto até o momento é fazer que os livros deixados para leitura retornem aos ônibus. Atualmente nenhum dos exemplares utilizados no período de testes está em circulação na cidade.

O período experimental do “Leitura Pegando Carona” começou no dia 14 de maio, quando os livros foram deixados na linha Nova Rússia-Cristo Rei, a maior das 177 rotas do sistema de ônibus dentro de Ponta Grossa. “Nesse período colocamos dez livros nos ônibus. Hoje não há mais nenhum livro em circulação, mas o ponto positivo é que há passageiros cobrando que se coloquem mais livros nos coletivos”, disse a assessora de comunicação da Viação Campos Gerais (VCG), Cristiane Dresh.

No dia 1º de julho, foi realizada uma reunião na Secretaria Municipal de Educação, onde foram discutidos quais seriam os rumos do “Leitura Pegando Carona”. Ficou decidido que o projeto terá continuidade. “Temos que tomar algumas decisões ainda em relação à operacionalização do projeto, mas com certeza será ampliado, inclusive com a participação de parceiros”, disse a secretária de Educação de Ponta Grossa, Zélia Marocchi.

Na reunião, também esteve presente o gerente da Dpaschoal de Ponta Grossa, Augusto César. A empresa será parceira na continuação do projeto. “Procurei a biblioteca para firmar parceira. Já disponibilizamos 500 livros para o empreendimento”, explicou César. Marocchi simpatiza com a participação da iniciativa privada no projeto, mas ressalva que isso deve que ser feito com responsabilidade. “Parceiros são bem vindos, mas devemos estudar todos os pedidos com cuidado”, disse Marocchi.

Segundo Dresch, a partir de agora, o “Leitura Pegando Carona” deverá abranger quatro linhas de ônibus na cidade, que serão trocadas mês a mês. “As primeiras linhas com livros devem ser Terminal Central-Uvaranas, Terminal Central-Nova Rússia, Terminal Central-Oficinas e Oficinas-Nova Rússia”, disse a assessora da VCG. Apesar da ampliação do empreendimento, os livros serão colocados nos ônibus apenas após a próxima reunião na Secretaria de Educação, que ainda não tem data marcada.

 
Desafio do projeto é conscientizar os usuários a devolverem os livros

Os livros do “Leitura Pegando Carona” foram colocados na linha Nova Rússia-Cristo Rei no dia 14 de maio. Quarenta e cinco dias após o início da fase experimental da iniciativa, o projeto está parado. Todos os dez livros que foram colocados nos ônibus não estão mais em circulação. Isto faz os poucos passageiros que conhecem o projeto perguntarem para motoristas e cobradores da Nova Rússia-Cristo Rei onde estão os livros para serem levados para casa.

“As pessoas pedem livros, mas a gente não tem mais. Os livros têm que ser devolvidos para eles lerem”, disse o motorista da linha teste, Silvio Eurich. Para o motorista, o problema poderia ser solucionado com uma medida simples: a colocação de sacolas para os livros serem colocados perto dos funcionários dos ônibus. “Com isso, sempre quando alguém pegasse um livro, a gente avisaria para devolver. Tem gente que encontra os livros nos assentos e nem sabe que é para devolver depois”, disse Eurich.

A grande maioria dos passageiros da linha aprova a ideia, mas afirma que nunca viu livro algum nos coletivos. ”Eu sei do projeto, mas nunca vi livro nenhum nos ônibus”, declarou o domador de cavalos, Claudinei dos Passos, que utiliza ônibus diariamente. A estudante Daiane Miranda contou que seu padrasto já pegou um livro, mas não sabe se ele foi devolvido. “Meu padrasto pegou porque gosta de ler. Depois passou para meu irmão, mas não sei se ele já devolveu ao ônibus”, explicou a estudante.

A diretora da Biblioteca Municipal de Ponta Grossa, Bianca Tammenhaim, afirmou que o objetivo do projeto é fazer os livros circularem. “Não importa se não devolverem os livros, o importante é ele circular na comunidade. Por outro lado, se os livros não forem devolvidos, uma hora eles acabarão”, disse Tammenhaim. Além da sacola de livros, outra ideia apontada na reunião do dia 1° foi a de uma campanha de conscientização para os livros serem devolvidos, com o uso de cartazes nos ônibus.

Marocchi acredita que o problema da não-devolução é cultural. “Não resolveremos isso do dia para a noite. O que temos que fazer é conscientizar as pessoas”, explicou a secretária de Educação. O motorista Eurich tem o mesmo pensamento que a Secretária de Educação. “A ideia tem tudo para dar certo. Lendo, as viagens longas como a da nossa linha passam até mais rápido para os passageiros. Só temos que resolver o problema da devolução”, disse o motorista da linha teste do projeto.

Reportagem escrita para a disciplina de Redação Jornalística II na Universidade Estadual de Ponta Grossa em 2009

O balanço do início da caminhada

Nesta semana, o blog Crítica de Ponta fecha um ciclo. Metade da nossa missão como redatores do blog (que é de grande utilidade no nosso aprendizado) está cumprida. Mais do que marcar a metade de um caminho, o fim do semestre é uma ótima oportunidade de se fazer uma reflexão sobre que rumos do blog, que busca tornar-se referência de crítica nos Campos Gerais.

Em uma aula sobre crítica de mídia, o professor Sérgio Gadini fez uma definição das “fases” que a nossa página atravessou até hoje e quais são os desafios do blog: “passamos por uma fase com pouca crítica e mais voltada à descrição; agora estamos em uma fase que há um pouco mais de comentários. O desafio do Crítica de Ponta é chegar a uma terceira fase, onde teremos a apreciação dos produtos culturais da cidade.

Nesta semana, percebe-se que ainda estamos em uma fase onde descrições se confundem com comentários sobre o produto criticado, como nos textos das editorias Outro Giros e Projetor, que fizeram descrições interessantes, mas deixaram a desejar na apreciação sobre os produtos. O texto da editoria Entre Linhas é um bom exemplo da crítica se sobrepondo a descrição. Será a chegada à terceira fase do blog?

O Crítica de Ponta é uma dos poucos espaços na UEPG onde os estudantes podem escrever um texto que foge dos padrões tradicionais do jornalismo. Porém, poucos textos do blog tentam ousar na forma de serem redigidos. Ousadia encontrada nos texto das editorias Livro Aberto e Em Cena, que buscaram destacar elementos que muitas vezes passam despercebidos pela maioria das pessoas.

Ficaremos cerca de um mês sem postagens na nossa página. Este período servirá para refletirmos no que acertamos e erramos em nossa caminhada até hoje. Servirá para analisarmos onde queremos chegar com o Crítica de Ponta e que rumos estamos tomando até o momento. Podemos refletir sobre a utilidade dos comentários do blog e sobre como divulgar a página na web. Afinal, progredir é preciso.



Texto publicado no blog Crítica de Ponta em 2009

Para que serve a tecnologia?

Nós, seres humanos da contemporaneidade, vivemos cotidianamente com tantas preocupações, como por exemplo, que carro vamos comprar com o nosso suado e merecido 13º salário, com que roupa devemos ir à recepção de inauguração do mais novo site da internet. Com tantos problemas acabamos nos esquecendo de fazer reflexões básicas sobre a vida. Afinal, para quê tanta tecnologia?

Se pensarmos por que há tanta necessidade de tecnologia podemos chegar a respostas simples. Os que não desejam refletir muito respondem “por que sim” e vão assistir televisão. Talvez alguns digam que serve para melhorar nossa qualidade de vida e aumentar a longevidade humana. Hoje vivemos muito mais do que no início do século XX e temos muito mais facilidade para desempenhar diversas funções.

Aí que está a grande questão: será que toda tecnologia melhora nossa qualidade de vida e nos deixa com mais longevidade? O que podemos dizer da necessidade de acompanhar este trem, que está sem maquinista e sem rumo. Para algumas pessoas, não acompanhar os avanços tecnológicos podem levar inclusive à depressão, que é uma doença “dos tempos modernos”, ou seja, fruto da tecnologia.

O exemplo do filme Wall-E pode ser exagerado, mas serve para o homem refletir sobre os rumos que a humanidade toma ao optar pelo avanço tecnológico em detrimento de outros valores, sejam éticos, religiosos ou familiares. Fica a pergunta no ar: será que fazemos a escolha certa ao comprar uma máquina de lavar roupas, ou este é o primeiro passo rumo ao sedentarismo?

A resposta de porque somos cada vez mais dependentes dos avanços da modernidade é tautológica, tal como no dilema daquela bolacha dos anos 80. Não sabemos se um dia haverá um rompimento com os avanços tecnológicos, mas é bem provável que não. E dessa forma continuaremos caminhando rumo a sei lá onde, para fazer sei lá o que. Sempre guiados pela tecnologia. Deve ser para isso que ela serve.

Texto escrito para a disciplina de REOE na Universidade Estadual de Ponta Grossa em 2009
Related Posts with Thumbnails