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24 de setembro de 2008

(Bem) Longe de casa...

Quantas horas você já ficou viajando dentro de um ônibus? Seis? Doze? Vinte e quatro? Quem sabe... trinta e seis? Bem, eu consegui a façanha de passar - nada mais, nada menos do que - 64 horas. Isso mesmo. 64 horas. Saí de Fortaleza, numa bela manhã de sexta-feira e cheguei em Curitiba na madrugada de domingo para segunda. Sim, houve um atraso em São Paulo de, pelo menos, quatro horas. Mesmo que não acontecesse e mesmo gostando muito de viajar, é tempo pra caramba né?

Tudo bem. Nas primeiras 48 horas, eu dormi a maior parte do tempo. Acordava somente nas paradas de café/almoço/lanche/janta. Nem vi os dias e as noites passarem. Em compensação, o último dia... pareceu se arrastar. Eu não tinha mais o quê dormir. Até tentei, mas não deu. Olhava para o relógio e ele marcava 11horas. Depois de um tempão, olhava de novo e tinha passado apenas vinte minutos. Até consegui manter uma conversa com a mineira que sentou do meu lado e que vinha tentar uma vida melhor em Santa Catarina, mas mesmo assim... já estava cansada de ficar ali, sentada.



E por que diabos eu voltei de Fortaleza de busão? Aliás, o que eu estava fazendo lá mesmo?



Voltei porque, apesar da canseira, eu não tinha como pagar avião. Meu financeiro não permitia isso. E eu estava em Fortaleza passando o carnaval com os amigos do Movimento Estudantil de Comunicação Social (MECOM). Não, não. Ser militante do MECOM não é ter só essa vida mansa e boa nas praias do Cumbuco. Ser militante é ser de luta, é acreditar em coisas que você defende até a morte. Mas, acabei por me dar este direito de “férias”. Antes do carnaval, tinha passado uma semana discutindo as diretrizes da Executiva Nacional dos Estudantes de Comunicação Social (ENECOS) para o ano de 2008. Não foi uma discussão fácil. O estatuto da Executiva, em muitos aspectos, ficou sem pé nem cabeça, assim como os posicionamentos políticos. As ações da ENECOS foram até deixadas para outro encontro.



Mas o objetivo do texto não é filosofar sobre a dinâmica do MECOM (isso fica para outra hora). Quero falar sobre a vida dentro de um ônibus. Vale lembrar que é para qualquer ônibus, porque isso acontece em todos eles. Nos que circulam dentro das cidades, a “coisa” acontece de maneira mais sutil. Já nos de viagem, fica mais fácil de observar (até por uma questão de sobrevivência, ninguém quer ser esquecido em um posto qualquer desse “mundão de Deus”, né?)



No começo, somos todos desconhecidos em busca de um destino. Entramos, procuramos lugares para nos acomodar e ajeitar nossas coisas. Ficamos em silêncio. Para distrair podemos ler um livro, escutar músicas no seu MP7 (antigamente era radinhos a pilha, disc-man...) ou simplesmente podemos observar as paisagens que passam rapidamente diante de nossos olhos. Caso o “bus” seja mais estruturado, podemos contar com a opção do DVD (já vi vários filmes interessantes em viagens maiores).



Primeira parada. Desce todo mundo desesperado para fazer uma boquinha. Às vezes, só um doce basta. Também se aproveita para ir ao banheiro. Não que ele seja muito mais limpo que o do ônibus, mas, com certeza, é mais reconfortante do que aquele do “sacode-balança”. Em seguida, depois de uma rápida verificada nos passageiros, o motorista dá a partida e vai para outro lugar – provavelmente para a rodoviária mais próxima.



Bem, a cena se repete tanto que acabamos marcando os rostos das pessoas – especialmente daquela que senta ao nosso lado. Quando menos percebemos, estamos na maior das intimidades com a pessoa. Acabamos descobrindo nome, idade, se estuda, se é filha única, se está voltando pra casa, se está indo visitar alguém ou simplesmente se está se mudando de mala e cuia. No fim das contas, essa interação vale muito a pena. Consegue-se descobrir diferenças culturais gigantescas, que acabam por fazer deste país uma salada mista muito gostosa.



Claro que nem todo mundo se expõe da mesma maneira, mas mesmo assim existe sempre um tipo de interação. Tanto existe que, depois de 3 dias no ônibus, você acaba por criar certo apego àquela vida. Não que você não queira chegar em casa, tomar um banho descente (só os das paradas não valem), descansar e comer comida de mamãe (muito melhor e mais barata do que os dos postos). Nada disso! Você deseja muito tudo isso. Porém, conviver todo esse tempo com aqueles rostinhos antes desconhecidos, fazem você ampliar um pouco mais a visão de mundo. Por causa deles, de algum jeito, você fica mais receptivo a novas amizades.


Tente fazer um teste. Não precisa ir (ou voltar) para Fortaleza logo de cara. Mas pegue um metropolitano e vá de até a cidade mais próxima. Aproveite para sociabilizar com as pessoas. Aproveita para observar coisas antes não vistas ou não conhecidas. Imagina as histórias que circundam o lugar. Então, nesse momento, você perceberá quão rico pode ser seu dia-a-dia. Let’s go!

Leia mais em:

http://recantomeu.wordpress.com/2008/06/17/vida-e-cores/

http://recantomeu.wordpress.com/2008/06/23/tal-pai-tal-filha/

http://edmagalha.zip.net/

2 comentários:

Valério Paiva disse...

por mais diferentes que possa parecer, por mais distintos ou plurais que nossas realidades possam transparecer, as vezes a rotina de quem se envolve ao movimento estudantil é mais semelhante do que se possa imaginar.

deixar o conforto de um fim de semana na sua casa ou se divertindo pode parecer estranho para muita gente, mas vemos que nossos esforços viajantes se tornam gratificantes quando conseguimos algum avanço na nossa luta coletiva. gratificação tamanha é o aprendizado e as amisades que adquirimos nestas viagens...

Rafael Belo disse...

Viajar é o máximo e estes incidentes... Mudam muito nossas percepções! Viajar traz momentos de introspecção reflexiva, de novas pessoas nas nossas vidas... Tenho tantas estórias ainda a escrever... Delicioso texto , bela beijos

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