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17 de setembro de 2008

As cores que (te) marcam

Como vocês já puderam perceber, gosto muito (muito) de ler. Orgulhosamente, posso dizer que tenho mais de 110 livros – se um dia quiserem vir em casa contar, sintam-se a vontade. Lógico que eu já li muito mais. Troca- troca com amigos, empresta-devolve das bibliotecas (a pública, a da universidade e a que mais me influenciou, que foi a da escola que estudei por quase toda a minha vida). Algumas vezes, três por semana. Outras mais, outras menos. Mas nunca deixava (e procuro ainda não deixar) o cérebro parar.

Uma das minhas últimas (boas) aquisições é um desses Best-sellers. Fazia tempo que namorava o título. Sei lá, acho que porque me despertou muita curiosidade e também porque, de algum jeito, sou parecida com a personagem principal do romance adquirido.
“A menina que roubava livros”, de Markus Zusak, foi escrito e lançado em 2006. Aqui nas terras tupiniquins, teve sua edição rodada um ano depois, pela editora Intrínseca. Já tinha ouvido que a história era arrepiante... mas sabe como é, a gente nunca acredita 100% até que se tenha uma experiência real com “a coisa”.


Antes de começar a ler, uma frase na contracapa: “Quando a Morte conta uma história, você deve parar para ler”. Nada mais instigante, diga-se de passagem. Então, eu fiz isso. Comecei a folhear o livro. Logo no começo, quando a Morte se apresenta como narradora, o autor conseguir me captar por causa de “Uma Pequena Teoria”. Diz o trecho: “As pessoas só observam as cores do dia no começo e no fim, mas, para mim, está muito claro que o dia se funde através de uma multidão de matizes e entonações, a cada momento que passa. Uma só hora pode consistir em milhares de cores diferentes. Amarelos céreos, azuis borrifados de nuvens. Escuridões enevoadas. No meu ramo de atividade, faço questão de notá-los”.


Não precisou de mais nada. Eu simplesmente resolvi sentir e perceber todas as cores que esta história poderia me trazer. Liesel Meminger – a roubadora de livros – é uma pequena alemã, filha de pais comunistas, que se viu adotada por Hans e Rosa Hubermann, um casal acima de qualquer suspeita. Na verdade, seu irmão também era pra ser adotado, mas morreu a caminho da nova casa. Neste momento, a menina e a Morte estiveram bem perto, pela primeira vez.


No mais, elas se viram pouco. Talvez em mais duas ou três oportunidades. Sempre que se cruzavam, a Morte dizia que Liesel parecia sempre saber onde ela estava e a seguia atentamente com seus olhos. Mas... se elas tiveram pouco convívio... como a história se desenrola?


A Morte confessa que, enquanto não ceifava as almas do mundo, ficava observando o dia-a-dia de Liesel. A narradora da história acompanhou passo a passo dessa nova vida com os Hubermann: os gritos de rosa, a música e o acordeão de Hans, o quase romance com o melhor amigo Rudy, a parceria com o judeu refugiado Max... e claro, o gosto pela leitura (adquirido em passados lentos) e pelos roubos de livro.


Tudo isso passado na Alemanha nazista de Adolph Hitler. Uma visão diferente. Uma visão humana e que conseguiu me arrancar alguns choros. Impossível não se sensibilizar, impossível não ficar com o coração agoniado, impossível não acompanhar Liesel em seus roubos.Recomendo a leitura. É o tipo que faz sua alma levitar. Você vai parar tudo e acompanhar essa história. Tenha certeza que todas as cores irão passar e te deixar inúmeras marcas. Voi là.

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3 comentários:

Pensador Louco disse...

Eis aí um grande incentivo à leitura.

Grande post, meu amigo. Também sou um ávido leitor e sei o valor que um livro tem.

Abração.

Rodrigo Piva disse...

Suas críticas são sempre muito bem escritas, o que nos faz ficar com vontade de ler o livro indicado.
Parabéns!
Abraços

Luh disse...

É um livro de fato maravilhoso. Deu até vontade de ler de novo (Y)

=*

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