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9 de maio de 2009

Análise do livro Chatô: O Rei do Brasil

Se o leitor basear-se apenas pelo título do livro, poderia imaginar que “Chatô: o Rei do Brasil” é uma obra que exalta toda a trajetória de Assis Chateubriant, considerado em muitas eleições o “jornalista do século” no Brasil e considerado por muitos como o pai da televisão no Brasil. Chatô (seu apelido carinhoso) construiu um império gigantesco, com diversas cadeias de jornais, rádios, retransmissoras de televisão, isso sem contar as empresas que não eram vinculadas ao ramo das comunicações.

Todavia, o que se vê no livro de Fernando Morais (um dos escritores e jornalistas de maior renome no Brasil) é um lado de Chatô que passa longe de toda imponência nobre que o título da obra poderia sugerir apresentar, e o que acaba sendo mostrado claramente em todo o livro são os meandros e subterfúgios, quase sempre sem ética alguma utilizada por esse paraibano de Umbuzeiro. Chatô teve papel importantíssimo na história, não só da comunicação como mesmo a de nosso país e pela sua biografia pode-se ter um parâmetro dessa importância.

O livro inicia-se com um delírio de chatô, o que era uma exigência dele mesmo para a autorização de sua biografia. Tal delírio aconteceu quando lhe ocorreu o problema de trombose, que acabou o limitando de muitas funções após isto e o traumatizando. Logo após este inicio obrigatório, o autor retrocede no tempo e mostra sua infância em Pernambuco, mostrando na sua infância um lado humano e até cômico de Chatô: Relatando sobre seu problema de gagueira, o que o perseguiu por grande fase dessa vida.

A parte da infância é relatada rapidamente e logo o livro começa a mostrar um lado polêmico de Assis Chateaubriand. A partir desta parte da biografia, Morais descreve um homem que não perdia a oportunidade de entrar em uma briga, se soubesse que sairia com algum benefício dela. Sua notoriedade nacional é alcançada graças a uma disputa judicial ferrenha em um concurso da faculdade de direito de Pernambuco, o que força nosso “herói” a ir para o Rio de Janeiro buscar apoio político, onde conquista muitas amizades poderosas.

“Amigos” e inimigos foi o que Chatô mais colecionou em toda a sua vida, além das mulheres, é claro. Sempre que necessitava de apoio financeiro, ele recorria a “colaboradores” que, talvez por medo de ter um novo inimigo poderoso, quase em todas as oportunidades o ajudavam. Dessa forma que ele adquiriu o seu primeiro jornal nos Diários associados e mais tarde um dos maiores de seus legados remanescentes até hoje, o museu do MASP. No livro sempre foi deixado bem claro que “o rei do Brasil” sempre tinha o domínio nessas relações de “amizade”.

Quanto aos inimigos, também foram inúmeros, Arthur Bernardes, no qual Chatô fez ferrenha oposição; Oscar Flues, que fora literalmente castrado por Amâncio( figura muito citada na obra, era capanga de Chateaubriand); Corita e Clito Bockel, ex-mulher e o amante dela, que tiveram grandes disputas jurídicas pela posse da filha do casal, que acabou até em tiros e uma em resolução polêmica que causou inclusive mudança na constituição do país, apenas para satisfazer o ego do poderoso Chatô.

O livro também dá destaque ao lado mulherengo de Chatô. Segundo a obra, as mulheres sempre foram presença marcante na vida de Chatô, apesar de sua feiúra descrita no livro e de depois da trombose ficar incapacitado de manter relações sexuais normalmente. Durante toda a sua vida, ele teve 2 esposas e muitas namoradas, sem contar as moças no qual ele ia apenas “furunfar” (gíria criada por ele mesmo). O que ele não tinha era uma boa relação familiar, Chatô sempre foi um péssimo marido e um pai ausente.

Grande parte da evolução da mídia se deve a esse barão das comunicações, comparado ao cidadão Kane (ou talvez a Al Capone); A revista “O cruzeiro” trouxe muitas evoluções gráficas e de impressão ao Brasil; Sem falar da TV Tupi, que foi a primeira emissora e um marco na comunicação do Brasil. Chatô ainda seguiu a carreira política (com muitas manobras sujas) sendo senador e embaixador, até ter o problema de trombose que o deixou limitado em seus últimos anos de vida, mas não o impediu de continuar controlando seu império até a sua morte.

O livro de Fernando Morais apresenta diversas ações positivas, todavia também apresenta falhas, algo comum para uma biografia tão extensa. O livro apresenta destaque talvez exagerado aos defeitos de Chatô, para quem lê o livro fica a impressão de que ele era um homem muito irritável, falso, mulherengo, preconceituoso e não tinha apego nenhum à família; Além disso, se mostra um jornalista sem ética alguma, que, apesar de empreendedor, nunca investia seu próprio dinheiro nas suas idéias, o que deixa no ar se ele tinha tantos defeitos e tão poucas qualidades.

Outra pequena falha se deve a evolução da narração, pois se dá um grande detalhismo no começo da história e do meio para frente ela passa a impressão de ficar extremamente corrida, como se houvesse uma ânsia de acabar o livro e não “estourar” certo número de páginas. Falhas a parte, Chatô: o rei do Brasil é um livro interessante e indispensável para quem quer saber em pouco mais da história da comunicação do Brasil e para quem quer saber como se vivia na primeira metade do século XX no nosso país, tudo sob a ótica de um rei, o rei do Brasil.

Um comentário:

Wander Veroni disse...

Parabéns pela resenha, cara. O que mais me chamou a atenção quando li o livro foi a parte da implantação da TV no Brasil - que foi feita, praticamente, nas coxas. O Chatô foi muito empreendedor, isso é um mérito dele que não podemos deixar de lado.

Abraço

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