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14 de outubro de 2008

Traço tupiniquim: Desenhistas brasileiros fazem sucesso no mercado norte-americano de quadrinhos (Nathan Zanferrari)


Se você perguntar para algum norte-americano que goste de histórias em quadrinhos se eles conhecem Deodato Talmaturgo Borges Filho, José Edilbenes Bezerra de Moura, Rodrigo Ivan dos Reis, Marcelo Campos ou Bené Nascimento, dificilmente ele saberá de quem se trata, a não ser que seja um aficionado mesmo; afinal, a maioria dos fãs de comics os conhecem por Mike Deodato Jr., Ed Benes, Ivan Reis, Marc Campos e Joe Bennet. “No começo havia esse receio de artista estrangeiro. Hoje em dia muda quem quer, geralmente para facilitar a pronúncia” diz Ivan Reis, que apenas retirou o primeiro nome. “Rodrigo era muito difícil de falar em inglês, então fiquei com o 'Ivan Reis' por ter uma pronúncia mais fácil, apesar que hoje me chama de 'Aivan'”.

Mas hoje os desenhistas brazucas dominam uma boa porção do mercado norte-americano. “Até os anos 90, trabalhar com super-heróis era um sonho inatingível” revela Reis. “O único lugar no Brasil com trabalho freqüente em quadrinhos eram os estúdios do Maurício de Sousa.” Hoje a história é um pouco mais fácil. Agências, como a Impacto ou a Art & Comics, fazem contatos entre as editoras das terras do Tio Sam com os artistas do país do Carnaval. Para se inscrever é necessário apresentar portfólios com exemplos de trabalhos. Alguns até mesmo oferecem cursos de profissionalização, mostrando como trabalhar, se portar, apresentar, para refinar o traço do desenho, melhorar a arte-final e conseguir uma boa colorização. A maioria dos cursos dura em média seis meses.

O pioneiro lá fora foi Mike Deodato Jr., que ficou um tempo afastado do mercado porque acumulou mais trabalho do que podia dar conta e a qualidade caiu na opinião dos editores, mas já está de volta a ativa. Os trabalhos mais notórios de Deodato foram Vingadores, O Poderoso Thor, Elektra e um espacial Hulk contra Hércules para a Editora Marvel e Mulher-Maravilha para Editora DC Comics, mas começou com personagens menores, como Glory da Editora Image.

Já Reis, como dito anteriormente, começou nos Estúdios Maurício de Sousa e depois foi para fora trabalhar Dark Horse Comics, onde desenhou Ghost, O Máscara, Time Cop e Xena. Em seguida veio Lady Death da Chaos Comics, que por muitos anos pagou suas contas e chamou a atenção da DC Comics, onde trabalhou com o roteirista Chuck Austen e do arte-finalista brasileiro Marcelo Campos na lendária Action Comics, a revista que lançou o Superman, 70 anos atrás. Dpois disso veio Green Lantern (Lanterna Verde) e a minissérie Rann-Thanagar War (Guerra Rann/Thanagar).

O Homem de Aço também passou pelas mãos de outro desenhista brasileiro, mas na revista Superman: Ed Benes, que atualmente desenha Justice League (Liga da Justiça). Benes começou na Continuity Comics, desenhando Samuree. Depois desenhou um pequeno trabalho, Deathstroke, The Terminator (Exterminador no Brasil, mais conhecido como Slade, o vilão do desenho Os Jovens Titãs). Depois fez Gunfire e Artemis. Então foi para a a Marvel, onde brilhou em uma grande série de trabalhos: Captain Marvel (Capitão Marvel) e as minisséries Captain America (Capitão América) e Iron Man (Homem de Ferro) da série Heroes Reborn (Heróis Renascem) e depois permaneceu mais tempo em Uncanny X-Men (Os Fabulosos X-Men). Em 1999, saiu da Marvel e entrou na Wildstorm Comics, editora de Jim Lee, um dos mais consagrados desenhistas americanos. Quando a editora foi vendida para a Dc Comics em 2002, Ed Benes foi junto e acabou parando na Liga da Justiça e Superman.

Outros,porém, não usam o nome americanizado, como Roger Cruz, que trabalhou muito tempo para a Image Comics, com o título Youngblood. Hoje, coordena a Fábrica de Quadrinhos, uma escola de desenhistas, ao lado de Marcelo Campos e outros grandes desenhistas nacionais.

Mas o trabalho não é moleza não: “Levo de 12 a 14 horas para desenhar cada página. É uma rotina feroz e muito cansativa”, revela Ivan Reis. Os brasileiros são famosos por seus traços sensuais, principalmente Ed Benes e Mike Deodato. “O mercado de pinups [uma espécie de postêr ou ilustração que não seja uma cena dos quadrinhos] é interessante para quem não tem trabalho fixo como quadrinhista. Tem gente que até pára de desenhar quadrinhos só para fazer pinups” diz Benes, que fez muitas pinups da dupla de heróis da Marvel, Manto e Adaga (Cloak and Dagger); a maior parte das pinups que não são feitas por encomenda estão no site do artista, ao lado de material original das revistas “É claro que não vende como os originas do Ross, mas dá um bom trocado”, diz o artista, se referindo a Alex Ross, desenhista americano que compõe as páginas com pintura e uma arte ultra-realista.

Enfim, se você ficou com vontade de tentar a sorte lá fora, basta entrar em contato com a Impacto Quadrinhos pelos fones (11) 5072-6161 para São Paulo, (21) 3353-5422 no Rio de Janeiro ou pelo site http://www.impactoquadrinhos.com.br/; ou com a Art & Comics, como telefone (11) 3021-6607 ou pelo e-mail de Joe Prado, o chefe da agência: joeprado@mythoseditora.com.br. E se você se interessou mais pelo trabalho dos artistas, acesse:

Arte original de Ivan Reis: http://www.theartistschoice.com/reis.htm

Arte original de Ed Benes: http://www.edbenesart.com/

Arte original de Mike Deodato Jr.: http://www.esbornia.com.br/mikedeodato/page/noticias.htm

Arte original de Alex Ross: http://www.alexrossart.com/

Site oficial da DC Comics: http://dccomics.com/dcu/

Site oficial da Marvel Comics: http://marvel.com/

Site oficial da Image Comics: http://www.imagecomics.com/

Site oficial da Dark Horse Comics: http://www.darkhorse.com/

Até mais.


2 comentários:

Sara Itami disse...

Nossa!! muito boa a materia de hoje
adorei muito bacanaa!!

Zé Renan disse...

Show, Nathan!!!
Muito legal mesmo! =)

Abraço, cara.

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