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27 de agosto de 2008

Magia e transformação

No livro de Ricardo Kotscho, Uma vida de Repórter – Do golpe ao Planalto[1], existe uma passagem que fala da proeza do jornalista transformar qualquer aspecto em poesia. “O jornalista de raça é um mágico. Transfigura o anônimo em notável, celebra o despercebido, enquadra o texto no contexto. Enquanto nós nos limitamos a olhar, ele vê as coisas, pessoas, a paisagem, vê e conta”.

Ouso e vou além. O jornalista sente, sabe se envolver, sabe tirar a poesia e alma dos lugares. Ele não apenas reflete porque nossa natureza é totalmente subjetiva. Ela depende do que vivenciamos durante toda a nossa vida, depende também dos valores que aprendemos e reaprendemos sempre, depende de nossas crenças em mundo novo... e também, infelizmente, depende para quem trabalhamos. Enquanto somos empregados obedecemos e seguimos ordens – que em tese deveriam ser voltadas aos interesses públicos. Mas sabemos que o mundo não toca somente desse jeito.

Formas e mais formas podem fazer a diferença. Não é possível que algumas coisas sejam imutáveis. Elas precisam melhorar e evoluir (e eu não to falando somente em termos de política, onde precisamos jogar uma bomba e começar do zero). Em seus – temidos - Trabalhos de Conclusão de Curso (TCC) vocês podem se voltar para o social e com isso, dar cores, luz e vozes.
Eu junto com o Saulo, por exemplo, estamos escrevendo um livro-reportagem sobre moradias de Risco. O Douglas da minha sala escreve sobre Abandono e Adoção, a Mônica sobre Travestis, a Muriel e a Micheli fazem um vídeo documentário sobre crianças com síndrome de down e a Ana faz um documentário sobre o sistema penitenciário. Só nessa brincadeira tenho certeza que nossas visões de mundo já ficaram diferentes, mais abertas e menos preconceituosas. Sabemos das diferenças de vida que existem em nós – e isso nos gera algumas crises – mas estamos tentando ajudar (e vamos conseguir, vocês vão ver só!). Esperem a publicação do livro para maiores detalhes...

O objetivo deste texto é tentar dar um click nas pessoas. A vida ensina muito mais do que qualquer sala de aula. Sei que isto é um chavão, mas... pare pra analisar e ver se não é verdade? As coisas que você assimilou mais rápido foram as que você compreendeu, viveu, sentiu e retransmitiu depois foram as que você vivenciou fora de sala de aula.
Nas viagens que eu fiz mundo a fora foi assim. Conviver com as pessoas de culturas totalmente diferentes das suas faz você questionar alguns estereótipos e trejeitos de vida que você acha certeiro. Olhar o mundo sem ser com seus tão viciados óculos ajuda demais. Experimente e venha conversar comigo depois. Ou melhor: escreva um texto descrevendo a tristeza dos olhos de uma criança que viu seu porquinho-da-índia (que “ganhou” em troca da bicicleta) ser morto pelo cachorro da vizinha. Vamos ver se você só vai reproduzir. Duvido que você não sinta nada. Duvido.

[1] KOTSCHO, Ricardo. Uma vida de Repórter – Do golpe ao Planalto. São Paulo: Companhia das Letras, 2006. Página: 129 – Diretas – Ulysses Guimarães – O batismo é do povo.

Um comentário:

Rodrigo Piva disse...

Parece ser um ótimo livro. Parabéns pela indicação.
Abraços

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