O faro humano não é tão sensível quanto o dos cães, que são atraídos de longe por qualquer "cheiro comestível", mas é o suficiente para notar uma montanha de lixos no meio de uma praça.
O monumento construído em memória dos tempos em que o Ponto Azul era o local de encontro da população ponta-grossense, especificamente na década de 30, agora é cercado por lixos. De um lado do "Pinto do Péricles", nome popular do monumento, os cachorros devoram o banquete servido pelos lojistas das redondezas, do outro lado as pessoas lancham no Café e Bar Ponto Azul, na Praça Barão do Rio Branco. A Barão do Rio Branco é a praça mais antiga de Ponta Grossa, sendo considerada patrimônio cultural.
De acordo com o gari Marcelo Vieira, há um fiscal da prefeitura que impede que os comerciantes depositem os lixos no local antes das 18 horas. Essa medida evita a sujeira na praça no horário comercial. No entanto, a coleta do lixo na região só começa depois da meia-noite. Seis horas, das 18 horas às 00, é tempo suficiente para os cães que vagueiam por ali rasgarem os sacos plásticos e espalharem o lixo amontoado em frente ao memorial do Ponto Azul.
O comerciante Caio Zachski reclama da situação. “Nós somos obrigados a jogar o lixo em um ponto turístico da cidade por causa da falta de um recipiente adequado, pelo tanto de impostos que a gente paga a situação poderia ser um pouco melhor”, afirma Zachski.

Ao ser procurado, o diretor do Departamento do Meio Ambiente, Paulo Barros, disse que esse problema ambiental não lhe compete, e que o setor responsável por estas questões é a Secretaria de Planejamento. De acordo com a Secretaria de Planejamento, quem cuida das questões relativas às praças do município é a engenheira Silvianara. Porém, Silvianara diz ser responsável pelos cemitérios. A Ponta Grossa Ambiental, empresa que administra a limpeza do município, diz que suas informações são “sigilosas” e que nenhum funcionário além do diretor pode falar a respeito. Contudo, o diretor da empresa, Marcius Borsato, que em todas as minhas tentativas de comunicação não se encontrava na cidade, é adepto das novas tecnologias e só dá entrevistas por e-mails. Há cerca de 2 ou 3 semanas aguardo pacientemente o e-mail do Senhor Diretor da Empresa.
Enquanto ninguém assume a responsabilidade pela praça, os cachorros continuam a banquetear na esquina entre a avenida Bonifácio Vilela e a Rua Saldanho Marinho, em frente a Rua Coronel Cláudio, o Calçadão. “Essa praça é dos cachorros”, conclui o vendedor de caldo de canas, Mendes de Oliveira.
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